23 de maio de 2012

Flores do Oriente- Crítica

Flores do Oriente\The Flowers of the war – E.U.A\China 2011


O filme estreia no Brasil dia 25 de maio.




Quando pensamos na China, o que nos vem à cabeça? Muralhas, Dragões e fogos de artifício são ícones globais deste país tão antigo quanto majestoso. Mas o que uma igreja teria a ver com a cultura chinesa do modo que vemos?

Parece estranho, mas uma catedral gótica é o cenário do novo longa metragem Flores do Oriente. Na devastada cidade de Nanquim, a única estrutura ainda de pé é a sagrada igreja, onde meninas chinesas recebem educação católica em inglês. Lá, o estrangeiro John Miller (Christian Bale) torna-se a única esperança de vida das jovens, que precisam escapar da cidade antes que seja tarde.



Dirigido por Yimou Zhang (O Clã das Adagas Voadoras) e estrelado por Christian Bale (Batman), o filme já bateu recordes de bilheteria na China e o custo de produção ultrapassa os $90 bilhões.


O roteiro é baseado no romance “Thirteen Girls in Jiling City” de Geling Yan , inspirado em fatos reais durante a invasão japonesa na então capital da China em 1937. O fato histórico ficou conhecido como “O Massacre de Nanquim” ou “O Estupro de Nanquim” e praticamente dizimou a população chinesa.


A transição de John de estrangeiro babaca a herói protetor é o cerne do enredo. Americano, como não podia faltar um, John é agente funerário e trabalha embelezando os mortos para o enterro. Inicialmente oportunista e egocêntrico, não fala chinês e parece não se interessar pela vida dos outros. É presenciando o terror e o sofrimento das meninas que aos poucos ele se comove e decide protegê-las a qualquer custo, passando por padre para despistar os japoneses.





O grande conflito se dá no momento em que o coral da igreja é intimado a apresentar-se para as tropas japonesas em uma festa. Sabendo da real intenção dos soldados, John pretende tirar as garotas de Nanquim antes que sejam brutalmente violentadas.



Uma das alunas do convento, Shu (Xinyi Zhang), é a narradora e personagem principal da trama. A expressão de Shu é uma mistura minuciosa de inocência e violência, um emaranhado de todos os vícios e virtudes opostos em uma cadeia densa e bem captada pelas lentes da câmera. Altruísta, ela se recusa e partir sem suas companheiras, mas também é observadora e desconfiada.



A belíssima Yu Mo (Ni Ni), é a líder do grupo de cortesãs que se refugia na igreja. Das concubinas, Mo é única que fala inglês e consegue se comunicar com John, que, sem mistério, acaba se apaixonando por ela.



Flores do Oriente é um daqueles filmes que a gente torce pra dar tudo certo, simpatiza com os personagens e se emociona junto. Acredito que até os machos mais durões ficarão impressionados, e as mulheres, bem, essas vão chorar muito.

É muito interessante ver como os dois grupos de mulheres se relacionam: de um lado, as alunas do convento, aspirantes a freiras. Do outro, cortesãs, mulheres da vida que vendem seus corpos. Aparentemente catastrófico, o encontro entre essas duas realidades tão opostas é o que dá o profundo e sutil significado de ser mulher. O contraste social acaba por revelar mais semelhanças que diferenças em tempos tão sombrios, daquele jeito lindo que só o cinema pode oferecer.


Ponto positivo para a fidelidade lingüística! Enquanto em outros filmes de guerra todos magicamente falam inglês, Flores do Oriente se deteve à língua nativa de cada personagem com direito à sotaques puxados e eventuais desentendimentos, o que dá mais credibilidade à produção.



Contém cenas fortes de crueldade, estupro, suicídio, bombardeio e outras tantas atrocidades de guerra. Não recomendo para os que têm estomago fraco e muito menos para os que não gostam de sangue.


A estética do filme não foge ao cinza próprio do tema, carregado de poeira, escombros e corpos putrefatos. Porém, como o próprio nome sugere, o jogo está em mostrar o lado belo que se opõe à guerra, a flor que nasce em meio à destruição, vida e cor de onde não se espera. De tomadas fantásticas, a direção de fotografia (Xiaoding Zhao) mostra-se uma obra à parte, com cenas maravilhosas e muito vívidas que são uma verdadeira explosão de arte diante dos olhos do espectador. O tema pode ser feio, mas a cena é linda.


O que difere Flores do Oriente de outros tantos filmes de guerra é esta oposição entre o belo e o feio, o feliz e o triste. Não se trata de mais um documentário sobre a glória dos soldados e sua bravura, tampouco uma história de amor aguada e clichê, mas da visão anti heróica e singela dos sobreviventes: meninas de convento, cortesãs e um agente funerário bêbado. Flores do Oriente está em um ponto muito equilibrado entre o Cult e o Blockbuster. Violência, sangue e ruínas contrastam com beleza, amor e cores numa bela obra cinematográfica.


Música  chinesa - Tema do filme:



Trailer do filme:




Manu Jones é uma criativa independente. Amante da comunicação, ela se expressa sem medo através de blogs, vídeos e artes diversas que incluem design, pintura, música e tatuagem.
Louca por cinema e literatura, ela agora ataca de crítica nos últimos lançamentos da telona. Tudo isso, claro, sem perder a linha irreverente e o estilo Manu Jones.



Twitter: @JonesExplica




 jonesexplica.blogspot.com

5 comentários:

  1. Oiie,

    Belíssimo texto. Você conseguiu me deixar muito curiosa a respeito deste filme. Parece que foi realmente muito bem feito. Espero assistir em breve.

    Beijos

    Amigas entre Livros

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  2. Manu, amei seu post sobre esse filme que já me tinha chamado a atenção! Agora então, fiquei ainda mais curiosaaa! Parabéns mesmooooooooooo! A história parece ser bem interessante e me lembrou um pouco de O Ultimo Samurai onde um estrangeiro acaba sendo o heroi e tal, e salvando o povo! hehehhee

    Enfim, queroo mto ver esse filme! =)

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  3. Amei Karlinha! Quero muito ver!!! Beijos

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  4. Meo,, eu quero muito ver esse filme! Achei o visual lindo e a história super interessante. :D

    bjão!

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