13 de julho de 2012

Filme On The Road não supera expectativas mas compensa na fotografia e trilha sonora


Quando li On the Road - Na estrada, me lembro de ter pensando "aí está um livro completamente visual",tive uma imensa dificuldade em imaginar as cenas do livro e achava que um filme seria o ideal para complementar essa leitura, o longa veio e tornou isso possível. Assim como o livro, o filme não é fácil de assistir e também não trata de assuntos fáceis mas mesmo não tendo entendido algumas partes ele ainda desperta aquela sensação de "mais".


Conhecida como um movimento literário dos anos 50, a geração beat não foi muito divulgada no Brasil e por isso tive dificuldade em vivenciar isso tanto no filme como no livro. Lógico que a questão da estrada, liberdade e ser quem você quiser ser, é mais próximo da gente, mas as questões políticas, por exemplo, se você não procurar fora do filme ou livro não vai entender.



O filme baseado no romance do escritor americano Jack Kerouac, é basicamente sobre um jovem, Sal Paradise, tentando descobrir quem ele é e o que fazer da sua vida, ele acaba encontrando essas respostas através de Dean Moriarty, um personagem excêntrico, que extrai da vida o máximo que ela tem a oferecer e por isso aparece como um cara errante e sem raízes. O Sal é o protagonista do filme, mas é muito claro e evidente que nada aconteceria na vida dele sem o Dean. É como se a vontade de pegar a estrada estivesse adormecida dentro dele e o Dean a despertasse.



O filme retrata os principais fatos dessas viagens de descobertas, onde Sal procura desesperadamente inspiração para escrever um livro. Vários outros personagens vão aparecendo no decorrer do filme, e a maioria ligada a Dean. Como destaque, por aparecer mais durante a viagem, esta Marylou vivida por Kristen Stewart, ela é primeira mulher de Dean e com quem Sal tem um afer rápido. Muito se especulou sobre a atuação da Kristen no filme, vinda de uma famosa franquia e tentando se desvencilhar dela, sua atuação no filme foi boa, nada muito espetacular, até porque o papel não permitia, mas bem estruturado. Ela conseguiu passar o ar de uma jovem de 16 anos encantada por tudo o que Dean representava a liberdade de uma vida sem regras.

Garrett Hedlund sim merece um comentário especial, soube fazer muito bem esse personagem desvairado e com sede de viver e porque não dizer, muitas vezes perturbado. Dean é todo o extremo da geração beat, ou é tudo ou nada ou é agora ou não é nunca. É sempre tudo muito intenso para ele e tudo agora. Garrett conseguiu fazer o olhar, as expressões e o jeito de como Dean seria se existisse mesmo. Outro ator que também merece ser lembrado é o protagonista, Sam Riley fez o seu papel, nada também de muito brilhante porque como disse, para mim a alma desse filme é mesmo o Dean e como tal o personagem de Sam acaba sendo ofuscado por ele.
O filme todo é marcado por sensualidade, drogas e bebidas, tudo isso regado ao bom e velho jazz. E esse é um ponto maravilhoso no filme, a trilha sonora. Walter está de parabéns pela escolha das músicas e por ser bem fiel a geração beat nesse aspecto. Se esse movimento tivesse uma trilha sonora com certeza seria a desse filme. Outro ponto espetacular no filme é a fotografia. Como souberam escolher bem os locais de filmagens e as paisagens do filme. Tudo está bem igual ao livro.

Porém alguns pontos não me agradaram muito. Primeiro foi à duração do filme, ele é muito longo e algumas partes entediantes onde só há passagem de cenários, sem falas e sem personagens. E segundo a forma como o filme foi encaixado, nós temos alguns trechos sem explicação e deslocados do contexto. Eu como li o livro sei onde cada cena se passa e onde ela acontece em determinado trecho do livro, agora quem não leu vai se sentir perdido, pois a impressão que passou foi que essas cenas foram jogadas no meio das outras.


Mesmo não tendo amado o livro e o filme, pois senti uma dificuldade imensa de entendê-los e esse sentimento da geração beat não ser tão conhecido para mim o longa ainda vale muito a pena ver. Ele tem extremos alto e baixo que se por um lado os baixos deixam a desejar os altos super compensam. Os amantes do livro vão com certeza gostar do filme e você que nunca leu, ou não conhece a geração beat e Jack Kerouac vai se sentir propenso a querer saber mais e a conhecer essa geração que queria tanto da vida.

 “Para mim, as melhores pessoas são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações."  On the Road - Jack Kerouac

Trailer do filme:



Denise Simino: Estudante de Letras, apaixonada por livros, música, filmes... E legender quase profissional. Você pode encontrá-la no @dnisin ou em seu site Diamante Literário.

7 comentários:

  1. Apesar de não ter lido o livro ainda, eu tenho curiosidade em ver esse filme. Parece ser interessante. Ontem mesmo aconteceu um milagre, vi um critico brasileiro elogiando pela primeira vez a Kristen Stweart por conta dessa atuação! KKK Aí fiquei mais curiosa ainda! Parabéns Denise pela resenha, ficou ótima viu!

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  2. Quero muito ler o livro e ver o filme. :) Apesar de achar a Kristen e a Kirsten meio insossas, hahaha!

    bjs!

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  3. O filme parece ter, realmente, uma boa fotografia. Pra falar a verdade, não o tipo de filme que assistiria, apesar de parecer muito bom.
    Valew pela dica e belo post!
    Camila - Meu Livro Cor-de-Rosa
    http://meulivrocorderosa.blogspot.com.br/

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  4. Sou fã do Jack Kerouac e gosto bastante de On the Road, por isso estou meio pé atrás em relação a assistir ao filme.
    Ah, como eu amo essa citação que você colocou! heheh
    Mas gostei bastante do trailer, das imagens e da trilha sonora. Acho que vou dar uma chance ao filme!
    Adorei seu texto ^^

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  5. Eu já amo o livro e gosto do filme, mas concordo que ele se prolonga excessivamente em alguns momentos, além de também achar que é um filme para quem está familiarizado com a obra de Kerouac.
    Gosto da trilha sonora, da fotografia e das atuações, mas acabei não gostando da montagem.

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  6. Jéssica, estou sorteando um layout personalizado no meu blog, se quiser participar visite esse post:
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    beeijos! :)

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