21 de dezembro de 2012

As Aventuras de Pi: Emoção que vai além da extraordinária tecnologia


Existem filmes que tanto faz serem vistos no cinema ou em casa. Tem outros que vale a pena serem vistos nas telonas. Este é o caso do novo longa do diretor Ang Lee (O segredo de Brokeback Mountain): “As Aventuras de Pi”. Entretanto, o filme é muito mais que apenas um presente para os olhos de quem está assistindo. Além disso, o longa fala de valores, amizade e principalmente fé. Uma história emocionante, que não caí nas besteiras e mesmices de alguns filmes atuais.

Pete Hammond, do Deadline Hollywood, disse que “As Aventuras de Pi já é um candidato quase certo a concorrer ao Oscar nas categorias Melhor Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Fotografia, Edição de Som, Canção, Edição de Cenas e Efeitos Visuais pelas séries de deslumbrantes sequências que certamente chamarão a atenção dos amigos de Lee na Academia”.

O longa narra a história de Pi Patel (Suraj Sharma) que é filho do dono de um zoológico localizado em Pondicherry, na Índia. Após anos cuidando do negócio, a família decide vender o empreendimento, devido à retirada do incentivo dado pela prefeitura local. A ideia é se mudar para o Canadá, onde poderiam vender os animais para reiniciar a vida. Entretanto, o cargueiro onde todos viajavam acaba naufragando devido a uma terrível tempestade. Pi consegue sobreviver em um bote salva-vidas, mas precisa dividir o pouco espaço disponível com uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre de bengala chamado Richard Parker.

Logo nas primeiras cenas, somos apresentados ao agradável zoológico do pai de Pi, com animais conhecidos e outros um tanto diferentes. A trilha sonora é perfeita, e acompanha as cenas de acordo com as emoções dos personagens.Antes de toda a aventura, acontece a explicação do significado do nome do protagonista, na verdade, “Pi” é um apelido, e tudo é explicado de maneira leve e bem-humorada. 

O filme tem toda essa questão da fotografia e do visual que realmente é incrível, não só a parte que envolve a tecnologia (que é a maioria), mas a fotografia em si, paisagens da Índia (a cultura é muito rica) e ainda no visual em 3D tudo fica mais espetaculoso e vivo. A tecnologia usada por Ang Lee inclui o CG (Computer Generated) um novo programa que ajudou na criação do cenário e na movimentação do tigre (que é perfeita). Só pela parte visual, “Pi” já vale o ingresso.



Porém, o filme é muito mais grandioso e surpreendente. Além dos atores realmente bons e convincentes, com destaque para Suraj Sharma, que interpreta Pi na adolescência, o filme ainda tem diálogos e frases extremamente bem encaixadas. “A esperança é a última que morre” é uma das frases mais ditas no filme. Mas a fé em Deus que Pi carrega desde quando era criança é magistramente explorada nas cenas. Quando tudo parecia perdido, a fé o salvou. Quando ele pensava em desistir, o tigre de bengala no bote o fazia ficar alerta, é isso é reconhecido pelo próprio Pi.

 As cenas das pequenas vitórias de Pi na realidade que ele estava vivendo é o ponto alto do filme, cenas que as vezes fica difícil até para o mais forte segurar a emoção. A vida de Pi é discutida e avaliada por ele próprio através de sua ligação com Deus. A religião é explorada, mas sem aprofundamento em uma única específica. Pi tanto tem interesse na fé católica, como na religião cultural da sua família e do seu país.

A relação do tigre com o garoto foi outro ponto do filme que foi muito bem trabalhado. Afinal, o tigre é um animal selvagem e em nenhum momento o felino ganha características humanas em nome da amizade ao menino, como é visto em vários filmes envolvendo feras selvagens (como por exemplo Crônicas de Nárnia). E é justamente isso que Pi queria que ocorresse,que o feroz animal reconhecesse a  amizade de ambos. 

Junto com Pi, os espectadores vão enfrentando os desafios de sua incrível e desesperadora viagem, torcendo por ele e na angústia de saber quando será o próximo desafio a enfrentar em alto mar. 

Chega um momento do filme em que tudo vai se moldando para um desfecho surpresa, então volta à tona a pergunta inicial feita pelo jornalista no inicio da história narrada  pelo Pi adulto- a pergunta era: Como Pi faria o jornalista acreditar em Deus?). É aí que Ang Lee surpreende a todos com uma reviravolta em toda a história que deixa muita gente com a “pulga atrás da orelha” e nos faz pensar muito sobre o filme, usando uma metáfora que gera discussão entre os espectadores. 

As Aventuras de Pi é um filme que mexe com as pessoas e não é esquecido a partir da saída dos corredores do cinema. É incrível como uma história tão simples pode nos trazer questionamentos tão profundos sobre nossa insignificância no universo, o significado da vida e a existência do real e do fantástico. Independente de prêmios ou não, recomendo Pi para todas as idades. Este filme é extraordinário!



Avaliação: Excelente 


Postado por Jorge André Pereira, parceiro e convidado do Coffee and Movies. Você pode encontrar Jorge Andre através do seu blog pessoal(Aqui).

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