25 de janeiro de 2013

João e Maria agora caçam bruxas!


A adaptação do clássico infantil investiu no sobrenatural sombrio que existe nas entrelinhas da história dos irmãos


Vou confessar a vocês que nunca na vida o conto de João e Maria foi o meu favorito. Pra começar, eu nunca confiei muito em crianças que trocariam qualquer coisa por doces. E também tem o fato de que, quando eu era criança, essa não foi exatamente a história que eu mais ouvi antes de dormir, então não tenho a menor familiaridade com os irmãos. Mas como boa fã de adaptações diversificadas que sou, amei a ideia que sustenta o filme João e Maria Caçadores de Bruxas (Hansel and Gretel: Witch Hunters), que estreia hoje no Brasil.

Antes de qualquer coisa, vou contar a história inicial da lenda de João e Maria, criada e contada pela primeira vez pelos irmãos Grimm. João e Maria são os  dois filhos de um lenhador muito pobre, com quem vivem, acompanhado de uma madrasta. Em tempos de crise e miséria(uma nítida crise aos tempos sombrios da Idade Média), o pai das crianças se vê obrigado (lê-se: foi convencido pela nova mulher) a abandonar os filhos, pois não era capaz de sustentá-los e alimentá-los. Ao saírem com o pai em direção a floresta, João e Maria realizam sua antiga tradição de fazer uma trilha de pedaços de pão para não se perderem. Não me perguntem porquê, em tempos de fome, eles acham normal jogar a já escassa comida no chão, vamos focar no principal. O pai dos meninos os despista e volta para casa. Ao tentarem voltar também, as crianças percebem que a trilha de pão sumiu, provavelmente devorada por pássaros. E então se perdem.

Sozinhos e perdidos na floresta, eles acabam encontrando uma casa maravilhosa toda feita por doces e coisas gostosas. Mortas de fome, as crianças começam a comer pedaços da casa e facilmente se entregam a senhora que ali vive. A tal senhora, obviamente, é uma bruxa devoradora de criancinhas, que prede João enquanto o enche de comida, e faz Maria trabalhar nos serviços da casa. O plano  da bruxa má logo fica claro: João precisa ficar bem gordinho, para ter bastante carne e tecido adiposo para satisfazer a velha, e Maria será a próxima. Numa reviravolta cheia de coragem, Maria consegue libertar João e, juntos eles prendem a bruxa má no fogão que estava destinado a cozinhar o menino. E então eles voltam para os braços amorosos do pai, que deu o pé na bunda da esposa e se arrependeu de ter largado os filhos na mata.

Deixando claro que essa é a versão original da história. Como essa história foi abordada pouquíssimas vezes pelo cinema ou pela TV, quando criança, eu me lembro de ter ouvido de formas bem mais leves e que comprometiam bem menos esse pai mau caráter aí. Então confesso também que precisei pesquisar antes de ir ao cinema para saber como acabava.

João e Maria Caçadores de Bruxas tem como introdução essa mesma historinha que eu contei pra vocês agora, com a diferença de que o pai não abandonou as crianças na floresta, mas sim as escondeu. Os dois irmãos conseguem se livrar da bruxa de uma maneira muito legal que nos deixa bem confusos a respeito de uma única questão: como duas crianças (uma fraca de fome e outra de tanto comer doces) conseguem derrubar uma bruxa poderosa que tem anos e anos de experiência em comer crianças? Isso, meus caros amigos, esse filme vai explicar.

João e Maria se tornam famosos por terem derrotado a tal bruxa dos doces, e sua sede de sangue de bruxa não parou por aí. Vários episódios, de várias batalhas vitoriosas, nos são contados por meio de manchetes e recortes de jornais da época. “Irmãos heróis matam bruxa do lago”, “João e Maria derrotam ser do mal” e essas coisas. Logo vemos que muitos anos se passaram e os dois continuam atrás das malditas bruxas. (Poxa vida, gosto tanto de Hermione hihihi)


15 anos depois do traumático incidente, crescidos e munidos de muita tradição e munição na bagagem, João e Maria se tornaram especialistas em caçar bruxas por todo o mundo (ou reinos, se você pensar melhor). Eles são contratados e aparecem para prestar socorro a alguma cidade e logo chegam a um vilarejo que anda assolado pelo desaperecimento de crianças. A grande surpresa, no entanto, é que bruxas não caçam crianças assim, em vários números, e repetidas vezes. Com um pouco de pesquisa, os irmãos descobrem que um evento místico que acontece uma vez a cada geração, está para chegar, que esse evento é muito apreciado pelas bruxas. 


Como se caçar bruxas não fosse complicado o suficiente, João e Maria começam a perceber que as coisas não estão muito normais, e que o próprio passado da família está envolvio nesse caso. Famke Janssen dá vida à líder das bruxas feiosas, que parece ter uma obescessão por Maria.

Com um roteiro meio pobre e solto, João e Maria Caçadores de Bruxas pode até explicar algumas coisas, mas apresenta várias situações esquisitas e personagens que não servem pra nada. O delegado da cidade, por exemplo, não acredita nem um pouco na capacidade dos irmãos e tende a se tornar um vilão a mais, mas isso não acontece e, ao que parece desde o começo do filme, os próprios heróis não se levam a sério. Tudo que eles fazem e falam dá a impressão de que eles se acham OS melhores do mundo, mas só na frente dos outros.

Acredito que, muitos de vocês também não leverão esse filme a sério. Assim como eu nunca levei João e Maria a sério, por serem tão viciados em doces. Lembro que, quando vi o trailer do filme com o meu namorado, a única coisa que ele disse foi “Que filme bosta” e começou a rir. Isso porque a Maria é a mesma mulher que fez 007 Quantum of Solance, que ele ama. E sabe qual é a verdade gente? É que ele estava certo. Isso não quer dizer que eu não gostei do filme, porque, cá entre nós, eu amo filmes bosta. Haha Mas essa tendência de adaptar histórias infantis com elementos adultos já cansou né?

Se vocês pensarem bem sobre o assunto, perceberão que Hollywood está enfrentando uma crise de falta de criatividade. São milhões de filmes baseados em livros (roteiro original cadê???), ou clássicos infantis, ou filmes antigos. E João e Maria Caçadores de Bruxas é só mais um desses. Pra vocês terem uma ideia, as bruxas possuem varinhas e vassouras (como em Harry Potter) e até um trasgo tem seu momento de fama no longa! É claro que, quando ele começa a se mostrar uma criatura doce, amável, mal compreendida, até mesmo meio apaixonada pela bela Maria, ele se apresenta como... Edward! HAHAHAHA Vários jornalistas riram bastante na cabine. Agora todo Edward precisa ser Cullen né? Maior besteira.

Em alguns momentos da trama, gostei de coisas legais que foram adicionadas, como, por exemplo, o fato de João ter diabetes, por causa da quantidade de doces que comeu quando criança. Gente, achei isso genial. É como tirar uma com a cara do personagem pra todo mundo ver! Foi como um castigo pra criança boboca (sou madura né? Haha) que comia sem parar. E também tem todo um lance de bruxas brancas, que são bruxas boas, que é bem legal, porque, vamos combinar, onde existe o mal deve existem o bem. E eu acredito muito mais nas coisas, ou pelo menos fico muito mais simpática á essas criaturas sobrenaturais, quando existem exceções. Gosto das exceções.

De qualquer forma, o fato é: o filme é pobre. É divertido e violento, mas dá pra ver que isso foi só pra compensar a falta de conexão que existe entre os fatores presentes na história. Mas, se você for como eu, que ama um filme trash, vai gostar muito de João e Maria Caçadores de Bruxas. A história, meus caros leitores, nem sempre é o ponto mais importante. Principalmente quando se tem um Thomas Mann todo desajeitado e lindo por perto (hihihihi). 


Não acrescentou muito a minha vida, entendam, mas foram minutos de muito entretenimento pra mim (:


PS.: Entendam que: eu fiz uma crítica a um elemento do filme muito importante, que é o roteiro. Mas mesmo assim, eu gostei demais.

2 comentários:

  1. Ah, fiquei triste agora pelo filme não ter tanto sentido :/
    Mas ainda assim, estou a fim de assistir.

    Beijos,
    Thais P.
    http://thaypriscilla.blogspot.com.br

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  2. Luísa, cheguei do cinema agora e concordo com você em alguns pontos da trama. Sabe? Por sinal, vou até citar um que foi muito engraçado no cinema....a questão "trasgo/ogro" se chamado de Edward! ahahah
    Todo mundo na sala do cinema morreu de rir e toda vez que ele aparecia todo mundo ficava rindo sem parar e falavam:" aaaaa"... coisas do tipo.

    Bom, eu curti muito o filme (assisti em 3D) e dessa vez o 3D realmente funcionou- achei maravilhoso- mas discordo quanto a questão do roteiro do filme ser pobre. Pelo contrário, para mim- pelo menos- essa história pode até mesmo ter uma continuação oi algo do tipo. Eu curti muito mesmo como eles abordaram a história original com o roteiro do filme. Achei tudo bem fechadinho mesmo! =)

    Quanto essa questão de criatividade de Hollywood é oq está na moda agora. Assim como em filmes...os canais de séries de TV estão comprando os direitos dos livros para adaptarem eu não posso dizer que não curto pq eu acho isso um máximo. O que prova muito bem que um livro ( Harry Potter por exemplo que foi praticamente o primeiro) se tornar um fenômeno tanto nas páginas escritas como no cinema. Adorei sua crítica Luísa!

    Todo mundo na sala do cinema onde eu estava saiu super empolgado do filme!

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