8 de fevereiro de 2013

Você se apaixonaria por um zumbi?


Meu Namorado É Um Zumbi segue o modelo que fez a série Crepúsculo tão famosa, mas com muitos pontos positivos


Sei que muitos de nós se negam um pouco a assumir que gostam dos filmes da série de Bella e Edward, ou pelo menos de um, mas uma coisa não podemos negar: a fórmula fez muito sucesso. Um vampiro bonzinho que se apaixona por uma frágil humana é um dos enredos mais piegas do mundo. Mas vendeu. E vamos combinar que conquistou muita gente.

Meu Namorado É Um Zumbi (Warm Bodies), que estreia hoje no Brasil, é mais ou menos a mesma coisa. Baseado também num livro (Sangue Quente, de Isaac Marion), substitua os vampiros brilhantes e os lobisomens gostosos por zumbis e pronto, temos o nosso contexto. Agora, enganam-se vocês que acham que só por causa da semelhança com a franquia adolescente, esse lançamento está fadado ao fracasso.

Em um mundo pós-apocalíptico, uma praga contaminou grande parte da população mundial, transformando-a em zumbi. R. (Nicholas Hoult, da série britânica Skins, X-men Primeira Classe e Um Grande Garoto) é um desses zumbis. Ele não se lembra como se chama ou o que fazia quando era vivo. Ele apenas existe e, como outro qualquer, precisa se alimentar de carne humana para sobreviver. Apesar disso, R. é um pouco perturbado por sua condição, e vive terríveis conflitos internos, questionando sobre a origem da vida, a origem da praga, sua vida passada, e suas limitações. Diferente dos outros, R. não está nada satisfeito com essas limitações. Ele quer algo mais. Mas como ter algo mais com pessoas que, como você, estão mortas e não falam mais do que algumas palavras soltas? No mundo da época, é muito difícil para ele se conectar, pobrezinho. 

Mesmo assim, R. mantém filosofias diárias a respeito de coisas profundas e coisas idiotas. Ele vive com a colônia de zumbis que dominou o aeroporto de uma cidade (provavelmente nos Estados Unidos) e dorme nos restos de um avião 747. Muito legal né? Até que é, se você ignorar o fato de comoa vida de um morto é um tédio total. Os momentos felizes da vida de um zumbi se resumem às oportunidades que eles têm de saborear um cérebro humano, a maior iguaria do planeta. Ao comerem o cérebro de suas vítimas, eles adquirem para si todas as memórias dessas pessoas. É o único momento em que eles podem se sentir vivos. Além de impossibilitarem que elas voltem à vida como Mortos-Vivos.

É num desses episódios de deleite que R. come o cérebro de Perry Kelvin (Dave Franco, irmão lindo do James Hot Franco), um jovem humano que vive com um grande grupo de pessoas não contaminadas pela praga, na proteção de um estádio da cidade. Perry faz parte de uma equipe de jovens que, vez ou outra, sai dos muros da grande construção para buscarem suprimentos nos destroços vizinhos. Junto a ele estava Julie (Teresa Palmer, de Eu sou o número quatro), a namorada. Ao ingerir o delicioso cérebro do rapaz, R. assume todas as memórias guardadas, inclusive as que envolvem Julie. Pode-se dizer que ele se apaixona por ela logo de cara, mas a verdade é que ele assimila quem ela é, e a considera importante, mas R. não rouba os sentimentos de Perry, ele tem sentimentos próprios.

De todo modo, ele decide salvá-la do ataque de seus amigos zumbis e a leva com ele para o aeroporto. É claro que ela estava aterrorizada, mas Julie logo se encanta pelo jeito bobão do zumbi que não quis devorá-la. Eles passam um tempo legal juntos na casa/avião de R., conversam, trocam histórias, confissões, e criam um laço afetivo nítido, mas surpreendente até pra eles.


 O que torna essa história de amor possível é o fato de que alguma coisa dentro de R. está mudando desde que os dois se conheceram. Não é só a falta de apetite ou a capacidade de formar frases cada vez mais longas, são os sentimentos que estão mudando. É como se R. tivesse assumido total controle sobre seu corpo, sua vida, sua alma, e pudesse escolher quem ele gostaria de ser. E ele escolhe viver.

Se considerarmos que R. é um daqueles zumbis que ainda não está apodrecendo, e que ele não tem tantos machucados feios assim, podemos até notar o quanto ele é uma gracinha! E Julie também nota.

Mas é claro que nem tudo são flores e uma hora ou outra ela precisaria voltar para o estádio e para a proteção de seu pai, o General Grigio (John Malkovich), um militar centrado, sério e focado em exterminar a raça que acabou com a vida da mulher.

Numa reviravolta meio doida, R. precisa provar pra a garota e, principalmente, para o pai dela, que as mudanças que estão acontecendo com ele significam uma coisa boa, e que ele pode ser bom o suficiente para merecer o amor de uma humana. A sorte dele? Quando ele vai mudando, ele não muda sozinho. As transformações que rolam em sua composição começam a acontecer que outros zumbis, que passam a ter comportamentos racionais como o dele, e a querer se tornarem Vivos-Mortos! É como se eles estivessem se curando!! Tinha como ser mais adovável?

Dirigido pro Jonathan Levine, Meu namorado é um zumbi não é o nome original da trama, que deveria se chamar Sangue Quente, como o livro, mas acho que a Summit (mesma produtora dos vampirinhos) achou que o nome em português ia chamar mais atenção assim. Acho que foi o pior erro de todos. O título é ridículo, infantil, e vai assustar o público a ponto de só irem ao cinema as menininhas amantes do Edward que também querem ser amantes do R. zumbi.

Um pouco diferente do livro em sua profundidade, o longa é muito fiel com relação ao roteiro. O livro se estende em muitos diálogos em que Julie conta coisas terríveis para R. (que ela já usou drogas, já fez sexo para pagar por drogas, já foi traída pelo namorado e acha que ele nem a amava mais) e R. passa vários momentos revivendo as lembranças mais diversas de Perry. Já o filme aborda mais a qualidade com que uma amizade pode ser construída se deixamos os preconceitos de lado. O final também é ligeiramente diferente do livro, e tudo acaba bem mais feliz, mas em termos gerais, o longa é até mais dinâmico.

O ponto mais legal que eu acho realmente positivo na história de Sangue Quente é que ela é contada pelo R., um homem, e sua narração é ácida, irônica e perspicaz. Diferente da Bella, Julie não é sonsa e bobinha, mas sim uma menina experiente, vivida, e acostumada a lidar com a tragédia e a perda. E vamos combinar que o R. Comia qualquer um, e não só animais (ou bandidos) como o bom moço Edward. Apesar dos conflitos que isso lhe causava, ele não era bem o tipo de zumbi que se negava a viver de acordo com a natureza original. Ele não gostava, mas ele fazia. Eu também achei que o romance entre eles é um pouco mais maduro que o do outro filme, embora seja bem simples e puro. Tudo começa com um simples interesse pelo diferente, sabe? Interesse que leva à atração, que leva à mudanças que levam ao amor.


 Agora, deixando as comparações de lado, o pessoal dos EUA já está curtindo Meu namorado é um zumbi, que alcançou o primeiro lugar da bilheteria americana em sua estreia, na última sexta-feira, e faturou US$20,4 milhões, assim como a franquia de Stephanie Mayer sempre trouxe bons números. Se essa história vai render mais filmes eu não sei, acho que não. Mas é muito claro que o longa acendeu uma nova linha de romances adolescentes.



1 comentários:

  1. Menina, qdo esse livro saiu e já fiquei meio assim e acabei não lendo... não sei se encaro 2hs de filme com isso não...rs

    Andy_Mon Petit Poison
    POISON BOOKS - Eu e Você (Niccolò Ammaniti) j.mp/YGYRJP

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