7 de agosto de 2013

Crítica: Círculo de Fogo- Para enfrentar monstros, eles criaram seus próprios monstros


Chega aos cinemas nesta sexta-feira (9) o novo filme do diretor Guillermo del Toro (O Labirinto do Fauno), “Círculo de Fogo” (Pacific Rim). O longa é uma homenagem aos filmes japoneses com criaturas gigantescas.

Quando várias criaturas monstruosas, conhecidas como Kaiju, começam a emergir do mar, tem início uma batalha entre estes seres e os humanos. Para combatê-los, a humanidade desenvolve uma série de robôs gigantescos, os Jaegers, cada um controlado por duas pessoas através de uma conexão neural. Entretanto, mesmo os Jaegers se mostram insuficientes para derrotar os Kaiju. Diante deste cenário, a última esperança é um velho robô, obsoleto, que passa a ser comandado por um antigo piloto (Charlie Hunnam) e uma treinadora (Rinko Kikuchi)

O interessante do filme é justamente não manter o foco apenas nos monstros ou nas cenas de destruição. O treinamento dos personagens e os relacionamentos criados dentro da base de treinamento são abordados, o que não deixa o filme cansativo. O passado de alguns personagens também é explorado, como é o caso da protagonista feminina, interpretada pela bela Rinko Kikuchi. Seu triste passado é disposto para explicar e mostrar que, para poder controlar os gigantes criados para defender o planeta, não é necessário apenas a força física, mas também o equilíbrio psicológico e a empatia com seu parceiro (visto que os robôs são sempre controlados por uma dupla).


A parte visual e os efeitos são impressionantes, repleto de cenas de destruição e prédios estraçalhados, até o 3D pode ser um atrativo a mais na sessão. O elenco de protagonistas é de atores novos e a maioria desconhecido do grande público. Os únicos nomes mais famosos do longa são o de Ron Perlman  (que já havia trabalhado com o diretor em Hellboy 1 e 2) e do Capitão Stacker Pentecost, interpretado por Idris Elba (de Prometheus e Thor). Porém, nenhum grande astro de Hollywood faz parte da produção. Talvez o grande custo de investimento nos efeitos especiais, tenha limitado a contratação de uma grande estrela (Tom Cruise estava cotado para o papel do Capitão Stacker, mas abandonou a produção) o que nada atrapalhou o filme visto que o elenco está em perfeita sintonia. 

Percebi algumas referências a outros filmes do gênero, a começar pelo clássico de ficção científica, “Blade Runner”, aliás, em muitos filmes atuais do gênero, consigo perceber cenários ou um visual parecido a este filme. Não sei se porque é um grande clássico ou se é apenas eu que enxergo isto, mas a chuva contínua em “Circulo de Fogo” e o cenário de Hong Kong tem muito do filme de Ridley Scott. Percebi certa semelhança muito forte também com “Independence Day”, principalmente com relação ao desfecho da trama. E é claro, o longa “Transformers” não poderia deixar de ser lembrado, pois até no momento em que se visualiza o cartaz a lembrança dos carros- robôs é presente. Entretanto, o filme de Del Toro, nada tem haver com a trilogia de Michael Bay, a não ser pelo visual dos Gigantes de Ferro que aí sim lembra muito os heróis de “Transformers”.

O filme funciona como um bom blockbuster e apesar de todas as cenas clichês que são presentes em quase todos filmes de ação, “Círculo de Fogo” foge dos estereótipos que estamos acostumados a ver.  A trama ocorre em vários locais, nenhum dos quais são grandes cidades americanas, nenhuma Nova York destruída como é comum se ver em tantos filmes. O casal de protagonistas também é diferente, e apesar do rapaz ainda ser o cara forte e boa pinta, ela não é nenhuma supermodelo americana típica de filmes de ação. Ao contrário, ela é uma cidadã chinesa que se encaixa nas melhores características de muitas mulheres daquela cultura. E o mais interessante é a celebração da tecnologia (criada pelos homens) combinada com a coragem humana, criatividade, inovação, auto-sacrifício, individualismo (quando for o caso) e de cooperação (quando apropriado). É legal ver cientistas tidos como heróis, e no filme há dois personagens quem retratam bem isto. E também para quem curte vídeo-games com certeza  “Circulo de Fogo” é uma ótima pedida!

Avaliação: Bom 




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