22 de janeiro de 2014

A Menina Que Roubava Livros – ou O Roteiro Inovador Sobre 2ª Guerra Mundial –sqn



A Menina Que Roubava Livros, um filme há muito esperado (tão esperado quanto a festa do Bilbo lá no começo do Senhor dos Anéis!.)  O filme é uma adaptação do livro de mesmo nome, escrito pelo australiano Markus Zusak, que não saía da lista dos mais vendidos e conquistou milhares de leitores pela singeleza e lirismo com que o autor lidou com algo tão dramático quanto a Alemanha durante a 2ª Guerra Mundial. Desde então, os fãs não paravam de pedir, sonhar, acender velas e fazer círculos de oração para que um filme fosse feito. E um filme decente, de preferência.

“Na boa, espero que ninguém vejo que estou roubando esse livro que deveria ter sido queimado

O enredo cobre alguns anos da vida da menina Liesel Meminger, que  é adotada por um casal de alemães trabalhadores como parte do programa social do governo nazista. A partir de então, seguimos seu relacionamento com seus novos pais e com seus novos vizinhos – em especial seu melhor amigo, Rudy - e o desafio de ir para a escola quando se é a única da turma que nunca aprendeu a ler e a escrever. Sim, Liesel não sabe ler, mas isso não a impede de ter um grande fascínio por livros, e muito antes de querer aprender a ler para mostrar para os seus colegas de escola que ela não era burra, como eles a chamavam, ela o quis fazer para poder entender quais segredos estavam escondidos nas páginas de um livro.

E você esperava algo legal como essa capa. My sweet summer child...
 E então a 2ª Guerra aconteceu. E quando digo que aconteceu, foi de forma tão forte que engoliu quase toda a originalidade do roteiro. Para os leitores do livro, fica a impressão de que a sutileza e a poesia mandaram beijos e foram embora junto com o Oscar do Leonardo DiCaprio; para os que apenas viram o filme, a impressão é de que estão vendo mais um filme sobre 2ª Guerra, um filme longo e às vezes confuso que fala sobre oficiais nazistas megaevils, judeus sendo presos, pais sendo mandados pra guerra.... Mais do mesmo.O roteiro não está nada parecido com os atentados ao livro que a geração Harry Potter teve que aturar durante dez anos, porém fidelidade não significa bom roteiro. Foram usados vários clichês de filmes de 2ª Guerra e filmes de drama, no geral, quando o filme poderia ter seguido por um caminho muito mais inventivo e corajoso. 

O caráter episódico da história, afinal são vários anos na vida de Liesel, não ajudou no ritmo do filme e muito menos o fato de quase metade dele se resumiu a “OMG minha família está escondendo um judeu no porão!”. Outro ponto fraco é o narrador; uma das grandes atrações da história é o fato dela ser narrada pela própria Morte, e eles nos deixaram especulando se haveria ou não o narrador até os últimos trailers. O que ganhamos, entretanto, foi uma narração em off  que surge tão raramente, tão repentinamente e tão sem chamativos que a gente até esquece que ela existe.


 Apesar disso, o filme tem seus momentos, como a cena do coral das crianças da Juventude Hitlerista cantando um hino que fala sobre a supremacia alemã e vilaniza outros povos, mas o que vemos são rostinhos inocentes que, dificilmente, entendem a extensão daquilo que estão cantando.  A química entre Liesel e o judeu Max (Ben Schnetzer) deixa a amizade dos dois uma coisa aconchegante de se ver. Aliás, os atores, de forma geral estão muito bem em seus papéis; impossível não gostar de Geoffrey Rush como o carinhoso pai adotivo de Liesel, e Emily Watson – que super tem cara de mãe – é a mãe adotiva durona, mas a gente acaba gostando dela do mesmo jeito. Dentre os pequenos, Nico Liersch e seu Rudy Steiner se resumem a uma palavra: carisma, e a estreante Sophie Nélisse criou uma Liesel com muitas nuances, mesmo a personagem sendo tão fechada em si mesma. Fiquemos de olho nessa menina!

"Oi, eu sou o Olaf..." Péra, filme errado!
A Direção de Arte e os figurinos estão muito bons, a Fotografia foi feita pra te lembrar de todas as vezes que você passou em frente a uma livraria e viu exemplares e mais exemplares de A Menina Que Roubava Livros logo na entrada. E é chegada a hora de responder a pergunta: o que foi que aconteceu? O filme não é pavoroso, se você não se incomodar como os clichês e com a sensação de que já viu esse filme antes vai acabar aproveitando, quem sabe até chorando, porque a história é feita pra emocionar. Porém, a impressão de que o esperado filme de um livro tão amado e premiado, com personagens tão carismáticos e narrado pela própria Morte em sua deliciosa poesia e ironia poderia ser algo mais, ah, essa impressão não vai embora.






Um pouco sobre mim:

Oi, gente! Eu sou a Verônica Valadares, do canal “Vevsvaladares”  e fui convidada pela Karla a fazer a resenha do filme.Lá no canal tem um vídeo só sobre o livro A Menina Que Roubava Livros, então, se você ficou com vontade de ler, por que não dar uma olhada? Veja (aqui)

E se você curtiu a resenha (ou ficou curioso pra saber como é quando falo bem de um filme), pode visitar o meu tumblr . Aos poucos estou passando as resenhas do meu antigo blog pra ele.



See ya!”



3 comentários:

  1. Oi, Karla!
    Eu gostei muito do livro quando li ele há algum tempo atrás, mas ainda não tive a oportunidade de assistir a adaptação para o cinema (cidade pequena, fazer o que?). Desde o começo do livro eu me senti atraído pela história, mas pelo que tu falou, tenho medo do que vou achar do filme haha
    Gostei muito do blog!

    Até!
    www.odisseiatrivial.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pera, acabei de ver que não é a Karla! haha, desculpa Verônica!!

      Excluir
  2. Oi!

    Como li o livro há alguns anos e esqueci de muitos detalhes, foi como ver uma nova história, do qual eu recordava apenas algumas coisas.Eu me permiti assistir o filme e não assistir o livro e por isso acabou sendo uma boa experiência. Só percebi que algumas pessoas (que não tinham lido o livro) saíram do cinema com dúvidas sobre a Guerra, pois não conseguiram se ambientar ou criar as conexões. Mas óbvio, o filme não tinha a obrigação de ensinar a história, mas acho que oportunizar a conexão é importante pra todo tipo de público =)

    abs!

    http://arabesqueando.blogspot.com.br/

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