28 de fevereiro de 2014

Já não prometo mais que vou ficar



Nosso cérebro não entende o adeus. Somos condicionados a acreditar que, a partir do momento que alguém entra na sua vida, ela nunca vai embora. Ninguém quer ir embora também. Já ouvi e já prometi "nunca vou ir embora". Mas não esperamos pelas idas e vindas da vida. Conforme os anos passam, mas eu tenho consciência que muita coisa não saiu como planejada e que não há nada que possa mudar o que aconteceu. Vai ser assim pro resto da minha vida. A lembrança é essa, a história é essa.

Conforme os anos passam, menos eu planejo. Nunca mais prometi que eu jamais iria embora. Entendi que quem é esperto agarra o que tem no presente e deixa as coisas mudarem tranquilamente. Mas ainda não consigo entender porque algumas pessoas saíram da minha vida. Não consigo entender o que foi que aconteceu e eu vou continuar me perguntando. A dor desse fim foi tanta que desde então aprendi a manter as pessoas a distâncias seguras e as minhas malas prontas, pronta para uma retirada estratégica assim que alguma coisa der errado.

Aprendi a valorizar mais amizades que me fazem dar risada e que eu posso contar algo que me chateou no dia, mas meus dramas existências confio à mim mesma e as minhas palavras. Minhas dores mais profundas tranquei na minha alma e deixei de compartilhar com qualquer um que seja. O medo que minhas fraquezas voltem morder meus pés enquanto durmo tranquilamente é grande demais. Já aconteceu antes.

Quando a gente deixa alguém entrar, está dando espaço para machucar. Relacionamentos são facas de dois gumes, aquilo que cura é o que fere. Nunca consegui substituir aquilo que perdi e não estou pronta para isso. A perda é minha companhia, foi essa a sombra que foi deixada na minha vida. Ela me preencheu e não cabe mais ninguém aqui nesses restos.

Duro é ver que alguém te substituiu tranquilamente. Te substituiu a ponto de dizer com as mesmas palavras para outro alguém: "sempre amigas. Matemos o contato". Quantas vezes eu já ouvi essa promessa? Quantos anos eu ouvi as mesmas palavras e hoje eu to ainda tentando entender pra onde foi essa amizade.
Engoli a raiva, a mágoa e a tristeza.

 Engoli todas as palavras amargas, o buraco no peito, a saudade, a sensação dura de abandono e de ter sido trocada. Engoli e no dia seguinte, tudo me corroeu por dentro - a gastrite não se acalma. A dor emocional virou física e me acompanhou o dia todo, independente do que eu tomasse. Bloqueadores da bomba e protetores da mucosa não interferem em machucados emocionais.
Mas vá lá. É drama.

O foco é no presente. A vida continua. Não dá pra ficar presa no passado e esquecer de viver, ainda mais quando o presente é muito melhor. Preciso parar de arrastar coisas mortas. O duro é ter que engolir tudo o que eu gostaria de dizer. Nem é tanto. É só um grande "POR QUE" "EXPLIQUE-SE". Eu mereço. Mereço? Ah, não sei. Já chega da mesma conversa. Como eu disse ai em cima, essa é a história e eu não posso mais mudá-la. Só seguir em frente. Embora tenha uma diferença entre superar e apenas passar por cima, em algum lugar do passando por cima, eu supero. Prometo.


Daniela Mendes, 20 anos, futura médica. Seu maior sonho sempre foi cursar medicina. Coleciona sapatilhas e esmaltes, e é apaixonada por livros, seriados, culinária e gatos

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