25 de maio de 2014

De todos os pedaços que você é feito


Não somos inteiros. O que temos é a impressão de sermos inteiros.Acho que chega num momento o quanto percebemos que somos pedaços. Nascemos inteiros, eu acho. Passamos a vida dando, perdendo e porque não, ganhando, mas nossa alma se vira um monte de coisas costuradas.

As vezes não conseguimos tapar completamente os pedaços. Então somos vazios. Falta alguma coisa.
Nós somos feitos das manhãs de segunda-feira que sempre insistem em chegar. Somos feitos dos compromissos que perdemos, da dor que sentimos ao não conseguir algo que queríamos muito, somos feitos de esperança e medo, amor e insegurança. Somos feitos de vazios de pessoas que levaram um pedaço de nós há muito tempo, ao saírem da nossa vida. Somos feitos do que ganhamos quando pessoas inesperadas entram em nossas vidas e nos transformam.

Nada disso consegue se unir bem. Você se olha no espelho e não vê um inteiro. Ninguém consegue ver olhos, cabeça, corpo, membros. Você vê que cada parte sua tem uma história, você olha no espelho e vê seu estado de alma. Olhos brilhantes para quem está feliz, olhos cansados para quem está triste.
Somos feito das emoções que sentimos, e se sentimentos demais, então mais ainda. Somos feitos dos sonhos que não realizamos e das conquistas que tivemos mesmo sem querer.

Somos quem queremos ser, e isso é que decepciona: não conseguimos ser quem queremos ser. Sempre podemos ser mais qualquer coisa, ter mais qualquer coisa. Podia ter sido melhor do que está agora sempre. Podia não ter tido tantos erros, tantas decepções, tanta confiança errada.Mas se não fosse, não seria você. Você é feito de pedaços tanto quanto eu, e talvez um dia note, não são pedaços, não peças.
Somos quebra-cabeças, tentando juntar nossas peças perdidas desesperadamente, dia após dia, vivendo, tentando montar uma figura. Uma história. Algo que faça sentido. Que tenha significado. Que traga felicidade.

Ah, a felicidade. Porque você sabe: a felicidade não é o destino final. O destino final é a morte. A felicidade é o caminho. É isso que conta. O que você faz com suas peças no meio do caminho, como você escolhe enxergar aquela bagunça. Não a cena final.Ninguém quer uma vida estática. O importante é o movimento.
Um passo de cada vez, um momento de cada vez.

Eu esqueço que eu não quero mais nada além de ser feliz. E começo a querer coisas demais. Exigir demais. Esperar demais. Ter pesadelos demais. (porque isso não é sonho). Ai eu começo a afundar.
Felicidade. É o mais simples.

Daniela Mendes, 21 anos, atualmente no quarto período de medicina. Desde criança adquiriu a mania de ler tudo e qualquer coisa que encontrasse pela frente e logo depois começou a escrever também. Gosta de ouvir música o dia todo, ver seriados, cozinhar e principalmente de comer depois. Tem quatro gatos e queria ter uns 400. 

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